sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

16 DE DEZEMBRO DE 1976 – 36 ANOS DA CHACINA DA LAPA


INTRODUÇÃO

A Chacina da Lapa ou Massacre da Lapa (16 de dezembro de 1976) foi uma operação do exército brasileiro no comitê central do PCdoB - localizado na Rua Pio XI, nº 767, no bairro da Lapa em São Paulo - que culminou com a morte de três dos dirigentes do partido. Na ocasião o partido era mantido de maneira clandestina em função da proibição imposta pelo regime militar. A operação foi possível pela traição de Jover Telles, membro do CC, que fora cooptado pela repressão desde há muito. João Baptista Franco Drummond, preso no dia anterior, à tarde, após sair da casa é levado ao DOI/CODI e assassinado, sob tortura, na madrugada. Ângelo Arroyo e Pedro Pomar, sem esboçar qualquer reação, foram mortos na incursão e mais cinco integrantes - Elza Monnerat, Haroldo de Lima, Aldo Arantes, Joaquim de Lima e Maria Trindade foram presos e torturados. Conseguem escapar da prisão José Novaes e Jover Telles.


o massacre da lapa

Tirado do DVD - Direito à Memória Verdade e Justiça – do Ministério da Justiça, relativos aos Estudos e Implantação da Comissão da Verdade no Brasil, sob o Título – Massacre da Lapa.

“Num primeiro momento eles não entendem o que acontece, o estrondo, o reboco caindo. A Arroyo não lhe dão sequer esta chance. Sai do banheiro, ‘Que é isso?’, e então é atingido pelas costas com tal impacto que o corpo parece saltar para a frente. ‘Que desgraça! Nos pegaram’, grita Pomar”. Com essas palavras, um neto do antigo líder comunista Pedro Pomar procurou reconstituir, em seu livro, o espanto e a surpresa dos dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) ante a investida dos órgãos de repressão contra o “aparelho” em que se encontravam – reconstituição sustentada a partir do relato de Maria Trindade, sobrevivente daquilo que ficou conhecido como o “Massacre da Lapa”.

Era cerca de 7 horas da manhã do dia 16 de dezembro de 1976, quando, na Rua Pio XI, na Lapa, em São Paulo, militares do Exército e policiais invadiram e metralharam a casa de número 767. Dentro da casa estavam Ângelo Arroyo, Pedro Pomar e Maria Trindade, membros do Comitê Central do PCdoB e remanescentes das reuniões da alta cúpula do partido que ali tiveram lugar nos dois dias anteriores.

Era o desfecho de uma operação preparada e conduzida desde o início daquele mês pelo Centro de Informações do Exército (CIE) e pelo Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) paulista. Seu objetivo: desarticular a última organização de esquerda clandestina ainda capaz de desenvolver algum tipo de ação revolucionária. Aos olhos dos integrantes da máquina repressiva montada pela ditadura, tratava-se de dar também uma demonstração de força contrária ao processo de distensão política anunciado pelo governo do general Ernesto Geisel. Essa máquina tinha o apoio explícito da maioria dos comandantes e ministros militares, mas temia especialmente as consequências da liberação da censura nos jornais da grande imprensa e os debates parlamentares.

Em 1975, seus membros já haviam demonstrado a intenção clara de forçar a retomada do ciclo punitivo – os casos de tortura triplicaram em relação ao ano anterior; a “Operação Radar” atingiu violentamente o Partido Comunista Brasileiro, desmantelou o Comitê Central, prendeu centenas de militantes e simpatizantes.

No caso do Massacre da Lapa, militares e policiais diretamente envolvidos com as forças de repressão festejaram um refluxo da política de distensão. Foi a última grande operação de aniquilamento das organizações de esquerda levada a cabo pela ditadura.

Para saber mais:

POMAR, Pedro Estevam da Rocha. Massacre na Lapa. São Paulo: Editora
Perseu Abramo, 2006.

COELHO, Marco Antônio Tavares. Herança de um sonho: as memórias
de um comunista. Rio de Janeiro: Record, 2000.

Referências bibliográficas:

POMAR, Pedro Estevam da Rocha. Massacre na Lapa. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2006.

COELHO, Marco Antônio Tavares. Herança de um sonho: as memórias de um comunista. Rio de Janeiro: Record, 2000.

GASPARI, Elio. A ditadura encurralada. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

CARVALHO, Luiz Maklouf et al. Pedro Pomar. São Paulo: Brasil Debates,
1980.